Pensamento breve #2: Amor livre

Vejo hoje pichações na cidade sobre “amor livre”, vida sexual desregrada. Manifestações em favor de uma utopia sexual libertária. O retorno da ideologia marcuseana dos anos 60 e 70. Naquela época não deu certo e na nossa época também não dará.

Aqueles que defendem o “amor livre” esquecem que é próprio do amor ter regras, como o paradoxo da “liberdade obrigatória”, tão poeticamente expressa na frase “é um estar preso por vontade”. O amor livre genuíno é aquele que deixa livre o amor para ser aquilo que ele é, enredando-se na realidade e no outro, não pela via genital como afirmam alguns, mas pelo sacrifício livre e alegre de dar sua vida pelo amado.

Aquele que não está disposto a “perder” sua vida pelo outro não está disposto, na verdade, a deixar que seu ego seja o centro de sua própria vida. Algum problema nisso? Não necessariamente. Só não chamem de amor o que é apenas expressão de uma idolatria de si.



Relativismo sem limites

[...] o relativismo é incompatível com situações nas quais o sociólogo pretende atribuir papel operante à teoria de que é criador. Neste caso, a teoria não pode deixar de ter algum conteúdo dogmático empiricamente justificado pelo fato mesmo de que a realidade a que se refere é dotada de sentido. Somente uma sociologia de cátedra ou, como diria Hegel, “de professores”, poderá adotar um relativismo sem limites.

Alberto Guerreiro Ramos. A Redução Sociológica. Editora UFRJ, 1996. p. 96



Como vejo a Administração – um relato curto

Passo aqui rapidamente para deixar um registro. Em uma conversa recente com um professor de Filosofia – equilibrado e sem preconceitos com a Administração – ficou mais claro para mim como os pesquisadores do campo poderiam trabalhar. Vejo os conceitos, definições, teorias e abordagens metodológicas provenientes dos mais variados campos do conhecimento como “caixas de ferramentas” à disposição do pesquisador em Administração e que podem ser utilizados para a resolução de problemas administrativos, sejam eles práticos ou teóricos. Os pesquisadores dos campos da Filosofia, Sociologia, Psicologia, Matemática, Estatística, Finanças, Contabilidade, Economia, Antropologia, História, Biologia, Direito e Ciência Política são aqueles que “manufaturam” tais ferramentas. Um grande mérito da Administração é saber lidar com ferramentas tão variadas e conseguir integrá-las, orientadas de acordo com a “lei da situação” (veja em Mary Parker Follet), numa genuína atitude multidisciplinar. O cuidado em relação a isso já foi levantado por Guerreiro Ramos: deve-se praticar a “redução sociológica” quando importamos conceitos e teorias de outras áreas e contextos culturais.

Sei que essa visão não atrai muita simpatia da maioria dos colegas pesquisadores. Está mais em voga considerar a Administração como uma derivação do sociologia ou filosofia. Minha discordância está neste ponto.




A conspiração dos que se ignoram

O coletivismo de que morre o mundo e de que vivem os novos aventureiros é a teoria do ajuntamento sem unidade; é a tentativa de encontrar significado na multidão, já que não se consegue descobrir o significado de cada um: é a conspiração dos que se ignoram; a união dos que se isolam; a sociabilidade firmada nos mal-entendidos; o lugar geométrico dos equívocos.

Gustavo Corção. Lições de Abismo.

(via Cristian Derosa)


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